terça-feira, 28 de dezembro de 2010

consumindo e sendo consumido








A vida é realmente a arte do encontro, mesmo com tantos desencontros, como nos advertiu Vinicius de Moraes.
Dizem que a solidão é que nos espera, eu duvido disso, pois a solidão é em parte uma produção de nosso isolamento e incapacidade de nos abrir, e por outro resultado do mundo que vivemos, que se torna cada vez mais feroz.Mas sobrevivemos construindo rotas de fuga e pequenas resistências.
O mundo contemporâneo vive imensas transformações, valores e práticas estão se perdendo em uma sociedade que vive o presente sem relações saudáveis com o passado. A memória é esvaziada, as tradições são abandonadas. Por um lado o abandono de algumas tradições e o esquecimento como possibilidade de criação são importantes, mas o que vemos é uma lógica descontextualizada e esvaziada de sentido, ou com sentidos que não nos ajudam a ter uma dimensão social das cosias.
Um bom exemplo disso são as festas como Nata,l que tem um grande apelo comercial e uma dimensão religiosa. A lógica do consumo é mais forte que o sentido religioso, e nos últimos tempos isso tem se tornado mais evidente por conta do avanço dos movimentos neopentecostais protestantes, e por uma maior "eficiência" da ciência, que coloca a fé em um plano secundário. Entretanto é possível encontrarmos no meio do consumo relações e momentos que tragam a tona valores de solidariedade e de companheirismo.
Devemos aproveitar cada momento, cada oportunidade para reforçar práticas de solidariedade e confiança, pois mesmo em meio a uma onda de consumo podemos encontrar nos momentos festivos algo que permanece, pessoas que acreditam na amizade, e que o mundo pode e deve ser melhor.
Os valores vêm sendo corroídos por uma lógica predatória e egoísta que se agudizou nos últimos tempos. O capitalismo é um sistema sócio-metabólico que construímos com nossas forças, com nossas idéias, e o reforçamos em cada ato de egoísmo, cada disputa, e cada morte, mas não podemos esquecer que a vida é feita de possibilidades,e que não somos totalmente imunes, ou totalmente comprometidos com com a desumanização que é resultado desse modo de existência social.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Ano Finda


O ano finda.
Na avenida dos teus braços eu me perdi,
nos enrredos do dia-a-dia me entranhei.
Não me deixei capitular
não entreguei meus sonhos.
Eles são meus e de todos os que queiram compartilhar.
São nossos, são próprios, pois a vida é movimento e movimento é liberdade.
Houve dia de solidão, de encontros tortos, e de pouca entrega.
Mas existiram dias gloriosos, em que a alegria e felicidade promoveram uma vibração de torcida do Flamengo em Maracanã lotado.
o Ano finda e nas ruas milhões preparando-se.Comprando presentes, sonhando com o emprego que conseguirá, esperando dias melhores, agradecendo os dias vividos.
Um outro ano nasce, como sol que se levanta todos os dias.
Novo ano, esperanças renovadas, gente nova chegando.
Todo ano é assim:
incertezas e esperança.
novas alagrias, novas dores, e a vida pulsando em nossos peitos planos e desejosos, em nossa cabeças fervilhantes de idéias.
Meu coração é uma avenida larga de desejo onde a a alegria e a dor convivem.
Em teus braços entreguei o meu destino.
Agora desejo o ano que nasce, e os dias que sobram.

sábado, 18 de dezembro de 2010


‎"A BELA MORTE E 0 CADÁVER ULTRAJADO", de Jean-Pierre Vernant

Pseudo-verdades




Adoro os Artistas, As suas obras.
Ontem fui vê umas apresentações. É bom vê as pessoas se desenvolvendo, experimentado, mas tenho dificuldade quando as coisa são feitas de forma acrítica.
A arte contemporânea vivi um momento de intensa criação, de muitas experimentações, e de uma busca pela identidade e pelo passado.
Os artistas nascem e desaparecem na mesma velocidade.
o autodidatismo convive com a lógica espontaneísta e fragmentária.
pseudo-intelectuais e pseudo-artistas observar qualquer coisa com cara de concentração e de que tão entendendo tudo. Mas tem coisa que não tem o que entender, que a capacidade de comunicação é muito reduzida. É apenas um vertigem, um delírio uma alucinação.
Nem tudo que fazemos tem que ser arte. Rebaixar a arte não é uma forma de democratizá-la, é apenas populismo barato.
Uma boa arte leva tempo, exige dedicação. Não somos iluminados ou aprendemos a fazer de qualquer jeito, é preciso muito estudo, dedicação e sensibilidade.
Nem todos os que se dedicarem terão o passaporte para produzir um bom trabalho, nem todos os que produzirem um bom trabalho terão reconhecimento, pois a dinâmica social depende de muitas variáveis.
A falatde uma crítica séria deixa que muitos monstros sejam criados, que muita coisa sem sentido seja realizada e vendida como arte, isso contamina a produção geral, pois em nosso templos os exemplos de sucesso são mais importantes do que a criação e inovação.
O desenvolvimento da arte acompanha a evolução de nossa espécie e de nossas sociedades, não podemos considerar que arte é qualquer cosias.
Muita pesquisa foi realizada.
Talvez a "bela morte" não seja algo a ser perseguido em nosso tempos. Apenas a morte rápida e solitária para os homens e da arte.



PS: duvido que seja o fim, mas um novo começo

inconcluso como a vida


Amor é uma invenção.
Uma grande invenção, sem a qual não poderíamos experimentar uma infinidades de sensações que derivam de nossa relação com os outros.
A condição pós-moderna busca nas formas primitivas e nas modernas invenções a construção de novas subjetividades e novas formas de amar.
A liberdade do sexo infelizmente não representa a liberdade sexual ou da sexualidade.
O romance está se dissolvendo, mas os amantes resistem.
Novas formas de pensar o amor e o afeto estão surgindo.
contradição? está morrendo ou se modificando? as vezes mudamos e somos os mesmos, mesmo sendo outro, mas a mudança pode levar a um lugar mais distante, e a coisa deve ser dita e nomeada de outra forma.
As escolhas de parceiros está se diversificando(homens, mulheres, objetos, animais).
Mesmo com o Padrão de Acumulação Flexível enfrentamos os efeitos do modelo de produção de mercadoria e existência do final do século XIX e do início do século passado, a mecânica de nosso sentimentos é newtoniana.
É importante perceber os movimentos da vida, pois as transformações são necessárias e são inerentes ao movimento permanente que é a existência.
nossa tarefa é experimentar a vida e o amor nas suas mais variadas possibilidades, nossa tarefa humana e descobrir as nossas potencialidades com liberdade e autonomia.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nietzsche, vamos esquecer!


Esquecer, lembrar.
Queira não lembrar das cosias que trazem dores ao corpo e tristeza para a alma.
Queria o apagamento das memórias ruins para evitar o ressentimento e o recalque.
Falo do esquecimento bom que Nietzsche nos falou, que não é Deus, mas nos livra de males.
Esquecer as dores do passado no possibilita viver melhor o futuro.
Seria bom poder selecionar as memórias, guardar e apagar segundo minha vontade, mas não é possível.
As coisas ficam, ganham corpo, volume, e texturas. Mas é importante pensar o que fazemos de nossas experiências, pois somos feitos delas e por elas.

"o Leitor"


vejam "O Leitor" de Stephen Daldry. Ele também é diretor dos filmes "Billy Elliot" "As Horas".Tem alguns clichê e cenas óbvias, mas o que é da vida sem os clichês, os conselhos e os ditos populares?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crepúsculo, Lua Nova, e Eclipse , de Stephenie Meyer


Quando era criança adorava essas histórias de super-herói, lendas fantásticas,e contos de fadas. Os monstros nunca me assustaram, pelo contrário eu tinha um encanto por eles.Seus poderes, seus dramas, e o mistério sempre me fascinaram. Eu cresci e a paixão permanece.
Nos últimos tempos os personagens dos quadrinhos têm aparecido na tela com frequência, são em sua maioria heróis que foram criados há muitas décadas e continuam povoando nosso sonhos e apaixonando gerações.
Um dos fenômenos da atualidade é a escritora Stephenie Meyer e sua obras, que ganharam o cinema tornando-se grandes sucessos literários e de bilheteria.
Os filmes Crepúsculo, Lua Nova, e Eclipse apesar de serem baseados em dois pilares fortes de nossa cultura romance e as lendas tem um compromisso muito claro com o mercado, que acaba comprometendo o resultado do trabalho. Os monstros que eu me encantavam perdem sua beleza, e ganham um verniz banal. A história é bem o reflexo das produções contemporâneas muito superficiais e fragmentadas.
O problema maior é a produção de obras de arte está submetida aos interesses mercantis, quando a arte vira negócio, e o negócio vira a finalidade da arte perdemos o que é mais valioso e potente.
A ditadura do mercado impõe as obras de arte uma lógica exterior que afeta o resultado e inibe a liberdade de criação. Além desse debate arte e mercado, tem uma questão da qualidade estética que é fundamental, as histórias são cada vez mais pobres em sua capacidade de produzir catarse.
é nunca gostei dos blockbuster, pois de fato o que eles arrasam é com a nossa capacidade de fazer filmes que possa ajudar a dar sentido a nossas vidas. Meus monstros favoritos tem sido arrasado pela indústria cinematográfica e por produções vazias como as que estamos nos referindo aqui.
Espero que filmes melhores possa surgir, nesse pântano, e que nossos monstros possa continuar encantado, e não sejam esvaziados em histórias mal contadas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme, filme de Oliver Stone


O que importa não é tanto o dinheiro, mas o jogo entre as pessoas.
O dinheiro é o que move o jogo
É o que está entre.
O equivalente geral tem um peso importante no jogo, e ele movimenta e se movimenta em uma velocidade surpreendente.
Em tempos de alta tecnologia de informação o dinheiro ganha asas e um corpo anabolizado.
É como um liquido que ocupa o corpo e o molda de forma sedutora. O dinheiro vira bolha, e uma balho que se fragiliza a medida que cresce.
Wall Street é um coração nervoso, de pessoas aceleradas, que do alto dos arranha-céus decidem sobre os empregos e vidas de milhões de pessoas.
É como um jogo eletrônico, limpo embora sujo.



‎"Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme", filme de Oliver Stone tem proximidade com o Livro "Boom e a Bolha" de Robert Brenner

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Deixe a vida surpreender você.
Nada de modelos prontos;
Nada de esperar as coisas acontecerem como o previsto.
O erro pode ser uma tragédia, um acidente, ou possibilidade de mudar a trajetória. o que você prefere?
Mas não espere sentado, pois as coisas não chegarão de bandeja, é preciso lutar.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Histórias de amor duram apenas 90 minutos"


Não sei ao certo o tempo, mas sei que as histórias de amor duram pouco.
talvez o que dure pouco seja o amor, ou a história romanceada como conhecemos.
O romance sem o amor torna-se drama, mas nem sempre.
Os desejos duram muito e mudam de direção, de alvo.
O cotidiano dos amantes é tumultuado: tem gente que morre de amor,que se joga de prédios, que se mata das mais vaiadas formas.
Um brega, muitas cervejas, e o sexo são bons anestésicos.
que pena que as histórias de amor durem pouco e nem sempre tenham um final feliz.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"Tudo pode dar certo" Woody Allen


o que ocorre quando algo que nos é muito importante é perdido?
quando a perda é grande podemos vagar por dias como um saco de ossos.
Boris, do filme de Woody Allen, nos diria que tudo bem e que "Tudo pode dar certo".Mas antes dar certo ele reclamou por toda uma vida, e depois de dar certo ele continuou reclamando.
Ele diria, tb que estamos todos nos desintegrando. Mas o certo é que damos muito valor as coisas, as perdas mais do que as conquistas, ao passado mais do que ao futuro.
O certo é que Boris tem razão Tudo pode dar certo, e tb tem razão estamos todos nos desintegrando, mas enquanto isso não acontece o mais acertado é viver da melhor forma possível.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

São João!!


Ontem havia balões no céu.
Em noite de lua cheia tinha balões no céu.
Eram lindos os balões passando de fronte a lua, uma coisa perto da outra, mas uma coisa mais forte que as demais,
A lua reinava soberana no céu, como estrela maior (mesmo não sendo estrela).
A lua dominava o céu, sua luz clareava meus pensamentos, trazendo à tona as lembranças de outras luas, de outras vezes que por ela fui iluminado.
Ontem o céu me fez recordar, do tempo da meninice alheia, mas não tão alheia assim


9 de julho de 2006
"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."(Cecília Meirelles)


Projeto de Prefácio(Mário Quintana)

Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ampulheta


devemos exigir mais da vida.
Devemos exigir mais de nós.
devemos?
onde fica o equilíbrio?
A corda por onde caminhamos é fina, frágil e se situada muito acima de nossas cabeças
Nossa rigidez pode nos segurar nela, ou nos levar a queda.
Entre o chão e o céu, entre a vida e a morte.
Devemos nos dar mais, e pedir mais da vida, pois ela é única, e nosso tempo na terra é impreciso.

fragmento inacabado - projeto 1


"(...)a experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores.E, entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias mais contadas pelos inúmeros narradores anônimos.(...)" Walter Benjamin.


Hoje tive um bom encontro com o cinema. A narrativa, as experiências contadas me possibilitaram um encontro com sentimentos e memórias de minha adolescência.
No Filme "As Melhores Coisas do Mundo" os adolescentes "Mano" e Pedro vivem situações e questões que são compartilhadas por um grande número de pessoas.
Há uma memória coletiva,uma experiência que é comum para uma faixa geracional, mesmo que seja outra geração.

É preciso descobri a felicidade e a vida todos os dias. As memórias podem ser dolorosas, mas nem toda memória de dor é expressão de um tempo triste, mas de nosso medo do fim,que nos faz estar ligados a outros tempos.

Sobre a vida

Acordamos todos os dias, e encontramos pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas, realizamos encontro diverso e variados. Nos sentimos sozinho, nos sentimos plenos.Nossa vida é cheia de mudanças. O encontro com o mundo nos possibilita um turbilhão de sentimentos. Muitos sentidos, Muitos significados. estamos comunicando, e sendo comunicados a todo instante. levantamos todos os dias procurando felicidade, isso nos mantém vivos, e realizando coisas.Quando nos é humanamente impossível acreditar que podemos ser felizes, somos vencidos pelas dificuldades, pela máquina irracional da vida contemporânea. angústia, vazio, solidão, desconfiança são temas recorrentes, são sentimentos que embotam o espírito humano, e que nos distancia uns dos outros. O que faremos? O que o destino nos reserva? Em geral não temos respostas, mas é sempre bom perguntarmos, pois é uma forma de lutar, de não nos entregar e de construir alternativas para o quadro que nos encontramos.
Sonhar é preciso, mas não basta sonhar, não basta acreditar. temos que nos mover no mundo. não podemos ficar presos a empregos, e lugares que não nos dizem nada, ficamos paralisados sonhando como seria se decidíssemos , ou se fizéssemos outra coisa pra viver. Só experimentando podemos sentir, é na vida que se vive. Não sabemos o que há antes, ou depois da vida. o que temos em nossas mãos é o que podemos fazer, mais que isso eu não sei.

Uma janela para afetos


Tem uma janela que nos possibilita ser mais afetivos
Ela se abre em alguns momentos de nossa vida
Tem gente que demora um ano, tem gente que demora uma vida toda.
Outros nuca deixarão transbordar o rio de boas emoções.
Temos que ficar atentos, pois a janela pode se abrir por um momento curto.
A vida nos reserva muitas possibilidades de afetos e afecções, mas nem sempre nos permitimos viver.
É preciso combater na vida, mas combater sem couraças, pois elas são desnecessárias... temos que ser aprova de balas, não de afetos, nem de amores...




PS: Em tempos sombrios devemos combater com humanização. As armas não atiram flores, mas os amores podem fazer baixar os fuzis. Que os Cravos da Revolução perfumem nossos corações.

Gentes de Artifício


Tem gente que brilha no Céu...
Gente que vem ao mundo e brilha.
Não tem grandes ambições.
Dura pouco e brilha muito.
Gente tal qual fogos de artifício.
Ganham o céu, atraem nosso olhar, e nossa atenção.
E olhando com cara de criança encantada, agente diz: É lindo.

devaneios

Em tempos sombrios devemos combater com humanização. As armas não atiram flores, mas os amores podem fazer baixar os fuzis. Que os Cravos da Revolução perfumem nossos corações.

devaneios

Não há inocentes, todos somos culpados, mesmo que a culpa seja uma invenção feita para nos reprimir. O silêncio é uma posição cruel.

devaneios

Os oprimidos o são porque há um sistema que torna os homens e mulheres desiguais. A desigualdade tem muitos níveis e a violência muitas faces. Os oprimidos só serão libertos quando compreenderem que a opressão de qualquer tipo é a sua principal inimiga

devaneios

Não podemos reprimir nosso desejos e nossa liberdade!

só mais uma!

Nem toda novidade é boa, nem todo mundo que não experimenta o "novo" é careta.
Nem todo pecado é ruim...
Mas o que é o pecado? Não sei meu irmão.
Pecado é coisa de doido, pecado não existe não.
Pecado é coisa de careta, e os caretas não aproveitam essa vida.
Quero é mais emoção, vinda de todos os lados.
A vida só se vive uma vez, e quem me falar que não, tem que provar bem provado.

devaneios

Bom mesmo é um fim de tarde na Praia do Futuro!

devaneios

Essa vida é boa quando se tem paixão!!!

Grito!

Queria gritar bem alto para que todos escutassem
Queria apelar para o bom senso de cada uma de nós.
Queria dizer que todos os dias nos matamos um pouco.
As vezes tento, outras vezes não consigo.
há horas que penso não adianta tentar mudar, pois estamos efetivamente morrendo desde o instante em que nascemos.
Mas há algo em mim que diz que vale a pena
há algo em mim que não me deixa desistir.
Não sabemos ao certo o que estamos fazendo, por isso nossos erros não são superados.
Temos que procurar as respostas em baixo de nosso narizes, dentro de nossas cabeças, no olhar dos que amamos.
É preciso sentido,
É preciso pedir socorro, pois a vida está se apagando no vazio.
Somos cópias de nossa humanidade, e sabemos que podemos ser muito mais.

devaneios

As coisas boa demoram e logo se vão, as coisas ruins partem numa não partida.

Encontros 1

Hoje tive um encontro com Augusto dos Anjos. Ele é muito triste, e fúnebre.
Hoje o encontrei, Jantei com ele, deitei com sua excentricidade.
Agora não consigo dormir.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ilusão Necessária

Suas alterações foram salvas.
Preciso Urgentemente de uma ilusão.
Sem cor, sem forma definida, apenas uma ilusão.
Pode ser de um tipo bem comum.
Não precisa de embalagem.
pode ser bem barata, encontrada no mercado negro.
Preciso de uma ilusão do tamanho do possível.
Eu a quero por um breve tempo. breve, mas necessário.

Menino

Eu vi um menino
barriga estufada, olhar de sombra.
eu vi um menino com cara de fome;
idade incerta, futuro também.
ninguem parecia enchegar,
ninguem alcaçava sua dor.
menino invisível
menino encomodo
"melhor não olhar", diziam uns.
"é bandido!" , diziam outros.
mas era apenas menino,
meninos triste,
menino só.

POESIA É COMO NUVEM

Poesia é como nuvem, fica no alto de nossas cabeças;
Nuvem tem mil formas e mil possibilidades de interpretação.
Nuvem é leve, poesia também.
Quando poesia transforma-se em chuva inunda nosso ser, nos deixa encharcados de sentimentos e sensações.
Poesia é branca, escura, grande, pequena e fica lá no céu.
Poesia voa percorrendo o mundo, e quando vira chuva faz chorar,
Quando vira revolução muda o mundo.
Quando vira água mata a sede.

PEÇO LICENÇA PARA A POESIA

Eu me importo, não sou indiferente.
Queria saber como foi seu dia,
E saber quantos sorrisos foi capaz de dar.
Queria fazer você sorrir mil sorrisos por dia até a alegria reinar
Os detalhes de sua vida são para mim materia interessante.
Queria poder encontar você ao despertar do sono,
Queria seu corpo junto ao meu corpo sem divisórias, sem limites.
Eu me importo, não sou indiferente ao teu cotidiano e as tuas necessidades.
Queria poder ocupar os bucacos deixados pela tua ausência, mas não posso, não é possível
O espaço que ocupa em meus pensamentos é teu e de mais ninguém.
Só teu sorriso, teu olhar, e tua presença são capazes de ocupar a minha vida.
Queria te dizer palavras que ajudassem a te convencer a me amar tanto quanto eu te amo, e que sua vida se entrelaçasse na minha para nunca mais soltar.
Queria ouvir teus passos adentrando nossa casa....talvez se eu gritasse, talvez se eu soubesse como, mas não sei.
Eu me importo, não sou indiferente...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Eu não gosto de Best-seler!

por Mardonio Barros

"O espetáculo submete para si os homens
vivos, na medida em que a economia já os
submeteu totalmente. Ele não é nada
mais do que a economia desenvolvendo-se para
si própria. É o reflexo fiel da produção das
coisas, e a objetivação infiel dos produtores."(A Sociedade do Espetáculo - Guy Debord)


Dizer Eu não gosto de Best-seler! Pode parecer uma definição dura, ressentida e ignorante da realidade. Vou me dar o luxo e\ou o direito de ser\ou parecer ser antipático. Fico muito preocupado com os rumos que a vida está tomando. Os desenvolvimentos das forças produtivas, das técnicas têm representado a busca quantificadora de acumulo de espetáculos. Calculamos o sucesso ou o fracasso pelos números, temos uma existência medida. Se um evento é bom, ele deve lotar, ou seja, ele deve ser consumido por um número elevado pessoas. Se um livro é bom, ele deve vender milhões, virar filme, etc. Se somos pessoas de sucesso, nós devemos ter muitos amigos e amores devidamente quantificados em nossas redes sociais virtuais.
A lógica da acumulação capitalista passa para as demais esferas da vida. A mercantilização da vida é a imposição da lógica mercantil, que acaba enraizando-se em outras dimensões de nossa vida.
Vivemos em uma sociedade em que a mercadoria, o valor de troca, e a indiferença reinam. Ao acordar todos os dias fico pensando que a nossa vida parece a vida de Truman, do Filme “O Show de Truman”, ou seja, uma realidade espetacularizada, descolada da realidade, controlada, mercantilizada, racionalizada e medida pelo mercado.
Eu não gosto de Best-seler! Não dos livros, mas o que isso significa para o mundo das artes. O Best-seler é para a literatura o que os blockbusters são para a indústria do cinema. A produção de livros segue uma receita de sucesso, que combina certo talento, com um bom marketing. A qualidade vai importar, mas o que é central é se o produto tem aceitação no mercado, se é uma mercadoria vendável.
Existe uma máxima do mercado que é a de que um produto vende quando ele é bom, e se é bom, ele vende. Será? A qualidade estética é discutível, mas quem define quem vende e quem não vende? Quem controla os meios de produção e distribuição da cultura? Onde os filmes são exibidos? Como eles chegam a nossas mãos? Como ficamos sabendo deles? Revistas como a Veja publicam em suas páginas um ranking dos livros mais vendidos, não é de obras de relevância estética, pois não está em questão debater o conteúdo a forma, apenas o nível e potencial de vendagem. São melhores porque vendem mais, e vender mais se torna um elemento definidor de qualidade literária e estética.
Vivemos um novo tempo, um tempo de grande desenvolvimento das técnicas e das tecnologias. Um momento de grande acumulo de capital e de conhecimento, mas um dos momentos mais pobres de realizações livres, e de criações significativa. A linguagem perde sua vitalidade, mesmo existindo muitos caminhos para seguir, pois os caminhos são controlados pela forma dominante. Para a linguagem ter expressividade é necessário ter encantamento, ter liberdade para expressar a vida que pulsa em nós. Essa realidade de produção cultural tem produzido uma crise de criatividade, que se pauta nos modelos que estão dando certo, ou seja, vendendo.
A sociedade do espetáculo é uma realidade que se amplifica a cada dia. As sensações, a existência e as experiências passam a ser mediadas pela lógica do espetáculo, que é a lógica da economia capitalista.
As obras de arte perdem o foco na sua existência social, e ganham uma embalagem hermeticamente fechada com o selo de mercadoria vendável. Os filmes, os livros, as peças de teatro, a dança, tudo se torna objeto de consumo (mercadoria), que para ser consumido necessita estar adequado à ordem da produção de valor entendido dentro da racionalidade capitalista.
O isolamento e a solidão fazem parte da dinâmica da sociedade do espetáculo. A separação do trabalhador de sua criação, e a submissão do trabalho à produção de mercadorias são facetas do atual estágio que a sociedade humana encontra-se. Nossas relações são cada vez mais mediadas. Os meios de comunicação que são possibilidade de aproximar mostram-se contraditoriamente como instrumentos que contribuem para nos localizar no campo de isolamento, nos colocando como espectadores. Quanto mais contemplamos o espetáculo da vida, menos vivemos, quanto menos vivemos menos conseguimos descobrir o que nos toca, e quais são os nossos próprios desejos.
O processo de reificação da espécie está em pleno curso, cada vez mais nos tornamos coisas, em um processo radicalizado da reificação e mercantilização da vida.
A televisão, o computador são instrumentos promotores de enclausuramento, devido sua capacidade de criar a idéia de que estamos vivendo, e encontrando pessoas. Procuramos nossas paixões via internet, em salas de bate-papo, e através de outros recursos e espaços virtuais. Passamos mais tempo simulando o encontro, do que encontrando as pessoas. A comunicação ganha uma centralidade maior do que em outros momentos da história. Vivemos uma realidade bem singular, no que se refere a experiência existencial e a centralidade da comunicação no estabelecimento das relações.
O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação é movido em grande medida pela necessidade do capital de ampliar as possibilidades de acumulação e reprodução, que se tornam possíveis pela maior mobilidade dada aos fluxos de capital.
Os meios e as técnicas são portadores do isolamento, e da individualização que são mecanismos necessários para a manutenção da ordem capitalista. Computadores, carros, televisões, são algumas das tecnologias que podemos identificar o caráter individualista e individualisador.
A sociedade do espetáculo é uma sociedade adoecida, confinada e desconfiada, que produz relações calcadas no medo e no recalque. As relações que vivemos são produtoras do medo. O isolamento dificulta na produção de experiências mais complexas e ativas, e de conexões mais inteiras com a realidade.
O sonho de libertação se vincula ao sonho do sucesso, a liberdade vira a possibilidade de sucesso, que só é possível dentro das normas já definidas pelo mercado. Estamos sujeitos as possibilidades e ao desenvolvimento da gestão das cosias. A gestão das coisas leva em consideração as suas necessidades, e as suas necessidades não são as necessidades humanas.
O mal-estar que a sociedade contemporânea sente é resultado, em grande medida, deste apartamento das coisas, pela criação da vida como espetáculo. A realidade vivida pelas pessoas é diferente da realidade apresentada\espetacularizada, a realidade apresentada torna-se a realidade desejada pelas pessoas, a diferença entre realidade projetada e a realidade em si causa a sensação de frustração, de impotência diante da vida. As mulheres têm seus corpos refeitos em programas de computador, a realidade é aperfeiçoada nas imagens, as imagens do espetáculo são sempre distantes das possibilidades reais, e mais próximas das necessidades mercantis. A cirurgia plástica, o fotoshop, a calcinha e sutiã com enchimento, as drogas licitas e ilícitas são alguns dos meios que utilizamos para construir uma realidade espetacularizada, ou para fugir dela.
Eu não gosto de Best-seler! Por ser expressão bem acabada da sociedade do espetáculo, por transformar as obras em mercadoria. O best-seler é a reprodução e invenção do sucesso, e o sucesso aqui está calcado no sucesso de venda, e isso produz uma crise na produção de novidade, de coisas que tenham relevância estética e social. Uma arte engajada deve estar comprometida com a liberdade e com a libertação, com as necessidades humanas, com a vida e com a beleza. Devemos produzir uma arte com sentido, que possa humanizar as pessoas e as coisas, uma cultura contra a barbárie.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Palavreando com o encontro, e encontrando com a palavra.

Para realizar um bom encontro é preciso vestir-se com humanidade

É preciso abrir a guarda, e cuidar da ansiedade

Para produzir um bom encontro tem que ter coragem, tem que se atritar, perceber os limites do corpo, e ver até onde ele pode chegar.

Um bom encontro se produz com generosidade para compreender e para ensinar. Ouvidos e coração abertos para escutar.

Um bom encontro leva tempo. Tempo necessário, e não cronometrável, medido, calculado.

Para fazer um bom encontro é necessário deixa o coração leve, e ter muita fé, pois o encontro é fruto da esperança na humanidade.

Os bons encontros são feitos da transformação da solidão em companheirismo, do medo em confiança, do ressentimento em alegria, da opressão em liberdade.

A vida moderna e a pós-moderna têm como marca o refinamento das formas de opressão e controle, pelo recrudescimento das ações do estado de exceção, e pelo cultivo do medo.

A lógica do trabalho submisso a reprodução das mercadorias e do lucro deixam de fora os desejos mais íntimos e reais. A realidade se transforma em uma fragmentação de desejos de consumo. Os sonhos são roubados. Resta-nos pouco do céu...

Hoje pensava sobre uma frase angular que diz que “se os canalhas\escrotos voassem, nós não conseguiríamos ver o céu”. De certa forma, há muitos de nós que não conseguimos ver o céu, sufocados pelos babacas da ordem e do progresso do capital.

Nossa juventude pobre tem sofrido um processo de criminalização e encarceramento brutal. Em sua maioria ligada à venda e consumo de drogas ilícitas. Uma economia totalmente integrada com a lógica geral da produção de mercadoria, e uma das válvulas de escape para a lógica reificante do sociometabolismo do capitalismo, que se torna cada vez mais insuportável enfrentar com a “cara limpa”.

Se nós ficarmos atentos, poderemos escutar o ranger dos dentes e os gritos de socorro que dos oprimidos pelo mundo contemporâneo. Nas ruas, caras pálidas caminhando sem muito saber pra onde vão. Sou uma dessas... Só a empatia é capaz de nos transportar para perto da dor do outro, para dentro do mundo que compartilhamos, e sentir que há algo errado, mas que há coisas que nos fazem continuar, pois a vida é totalidade.

O que as novas gerações pós- queda do Muro de Berlim e do padrão de acumulação fordista tem feito? O que a geração da internet, do computador, da genética, da nanotecnologia tem feito para melhor o mundo? O que a ciência tem produzido para melhora as condições de via? Não falo de medicamentos de tarja preta, nem de transgênicos, ou medicamentos diversos, mas de ações e invenções que visem à prevenção do adoecimento, e não o lucrar com ele.

Hiroshima, Nagasaki. Boom!!!! Bomba atômica. Depois pesticidas. Temos uma herança maldita, que temos que nos livrar, não com o apagamento, nem com o auto-flagelamento, mas com um olhar crítico e transformador, para não reproduzirmos os mesmos erros das gerações passadas. É bom saber que mesmo assim não estamos livres disso, portanto devemos lutar com o otimismo que vem da possibilidade e da necessidade de vivermos em um mundo melhor.

Devemos nos deixar afetar pelos outros, pelos carinhos, pelas dores alheias. As máquinas não podem construir uma sociedade melhor. Essa é nossa tarefa. Acredito que devemos aperfeiçoar nossos corações para sentirmos as vibrações do mundo, aperfeiçoar nossos braços para abraçarem melhor, mais confortavelmente, e mais verdadeiramente.

A tarefa de nosso século é reinventar nossa humanidade, pois os séculos de hegemonia do capital e da desigualdade têm usurpado à alegria, a esperança, e a liberdade dos homens e mulheres.



Mardonio Barros

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Transporte urbano: uma luta de todos conta todos.

por Mardonio Barros


Nos Terminais de Ônibus, ou em algum ponto de ônibus da capital cearense, no horário de pico, é comum encontrar grande aglomeração de pessoas. Fila que se desfaz à medida que os veículos vão se aproximando. A parada do ônibus é o sinal para a largada das pessoas. Começa o empurra-empurra, a correria. Vemos o cenário de uma luta diária pelo direito de entrar no ônibus, pela possibilidade de sentar até o seu destino final, ou simplesmente para não chegar atrasado no trabalho. Motivações diversas, mas o resultado é sempre o mesmo, uma violência cotidiana, que brutaliza nossas relações. Depois de intensa luta, as pessoas conseguem o paraíso de um ônibus lotado, e sem nenhum conforto. O calor toma conta do ambiente, irritando ainda mais as pessoas.
Esse quadro do transporte público da capital cearense é absurdo, um atentado diário ao bem estar da população. É necessário mais investimento, e políticas resultem em soluções para este grave problema. Mais ônibus e maiores, mais conforto (ar condicionado, ônibus mais vagos, com maior oferta nas linhas), mais linhas, um sistema de integração eficiente e leve, ruas seguras para o tráfego dos veículos (sem buracos, com boa sinalização), qualificação dos profissionais para melhor atender a população, e investimentos em outros meios de transporte público, tais como metrô e trem são algumas ações que podem contribuir para a melhoria dos transportes públicos em fortaleza, e para a redução de veículos individuais nas ruas, pois esses ajudam a elevar os níveis de poluição, violência no transito, e o estrangulamento das vias.
A cidade de fortaleza não dispõe de um sistema de transporte, o que temos são meio de transporte público, não encontramos diversidade nos meios, nem tão pouco um modelo que seja eficiente para atender as necessidades da metrópole cearense.

sábado, 24 de abril de 2010

O progresso e a barbárie das mortes dos pobres

por Mardonio Barros (Observatório da Indústria Cultural)


“Nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie. E, assim como a cultura não é isenta de barbárie, não o é, tampouco, o processo de transmissão da cultura. Por isso, na medida do possível, o materialista histórico se desvia dela. Considera sua tarefa escovar a história a contrapelo.”
(Walter Benjamin, Teses sobre o conceito da história)



Quando tive notícias do assassinato dos jovens Marcos Paulo da Silva Correia, Wellington Gonzaga da Costa, e David Wilson Florêncio da Silva fiquei tomado de uma revolta e de uma angústia, que se fundiam em uma tristeza advinda de um sentimento de impotência frente ao avanço da barbárie. Vivemos “em tempos (...) de sangrenta desorientação, de arbítrio planejado, de desordem induzida, de humanidade desumanizada[1]”, que nos exige estarmos alertas e prontos para combater a barbárie que nos embota o espírito. Esse crime nos mostra muito dessa realidade complexa que vivemos. Jovens mortos por outros jovens, em uma luta de todos contra todos, de pobres massacrados contra pobres massacrados, entre soldados desumanizados, de um lado os chamados “soldados do tráfico” e do outro (ou do mesmo) os soldados das forças do estado.


A entrega desses “garotos” ao tráfico é um arbítrio planejado, é uma desordem que induz os pobres eliminares os seus iguais. Assim seguem se devorando, pois estão tão alienados de sua espécie, quem nem se dão conta de que são alvo da mesma violência, e pelas mesmas razões. Essa reificação é um processo intrínseco ao modo de produção capitalista, ela nos leva a uma guerra de todos contra todos. Não podemos olhar a violência nos morros cariocas sem pensar na sua relação com o progresso, que é alardeado nos anúncios do Programa de Aceleração do Crescimento, ou em ações como o Cimento Social, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Da mesma forma em que não podemos olhar a barbárie que avança no mundo todo, em especial para a sua lógica nos países da periferia do capitalismo, e o papel dos países centrais nessa história. Essas realidades têm uma relação muito íntima. Quem está ganhando com o PAC? Quem ganha com a invasão no Iraque? E no Afeganistão? Ou com a suposta guerra contra o narcotráfico na Colômbia? Políticos, empreiteiras, mercado de armas e de segurança, especulação imobiliária, bancos, os latifundiários, indústria cultural (em especial a mídia), ONG’s.


Um bom exemplo dessa lógica do progresso como acumulação do capital e produção de barbárie é o Plano Colômbia, que contou com 1,30 bilhões de dólares de investimentos concedidos pelos Estados Unidos. Desse total, 1,13 bilhões foram gastos diretamente pelos funcionários de Washington, em suas fábricas de materiais bélicos, e sem a definição ou envolvimento do governo colombiano. O mesmo aconteceu com a quantia obtida pelo Banco Mundial para o plano, que foi canalizada por Washington para as sociedades militares privadas (SMP). Temos com esse Plano uma perseguição desenfreada do lucro, e não de resolver os graves problemas enfrentados pelos colombianos. Essa política alimenta os conflitos internos e o poder bélico das forças legais e das milícias que implementam a política de insegurança assumida pelo governo de Alvaro Uribe.


No caso da Providência os jovens foram entregues por soldados do Exército brasileiro que, até onde se sabe, tinham como argumentos para a acusação o fato de serem pobres, negros, e terem levantado a voz para reclamar das arbitrariedades dos “homens da lei”. Os militares os julgaram e delegaram a tarefa da execução a outros jovens da favela mais próxima, e de um comando diferente do que controla o tráfico no morro da Providência. Os que fizeram o serviço devem ter se utilizado para isso de armas fabricadas por indústrias de países “civilizados” e ricos como a Colt, que é estadunidense e fabricante do Fuzil AR15, a austríaca Glock, ou a Sig Sauer, que é resultado da fusão entre duas empresas, uma suíça e a outra alemã. Por que eles não fecham as fábricas de armas já que querem reduzir a violência? As armas não nascem nos morros, bem como as drogas. Os “soldados” do tráfico portam armas que são compradas por valores muito superiores aos que a maioria deles acumulará em suas breves vidas. Quem lucra com isso?


Países como os EUA e Alemanha são quem ganham dinheiro com o tráfico de drogas, e com o estado que também se arma com os materiais bélicos produzidos por suas indústrias. Essa lógica enriquece os capitalistas, e os países centrais, e leva policiais e civis à morte na periferia do capital. Enriquece também com isso a mídia cúmplice, que constrói diariamente as justificativas para essas políticas de morte. E o faz quando se nega a ouvir a voz dos de baixo, quando os coloca como criminosos, quando dão voz aos algozes dos que são assassinados todos os dias. Essa mídia também aperta o gatilho.


Vivemos em tempos estranhos, onde podemos encontrar nas ruas de uma cidade como Berlim um jovem dirigindo um carro com o que há de mais avançado na indústria automobilística, movido a álcool (energia supostamente limpa) produzido por trabalho escravo no nordeste do Brasil. Cada vez que olho para esse mundo, vejo mais razão nas palavras de Benjamin, não consigo olhar essa realidade sem horror, e nem seguir o cortejo triunfal dos vencedores, que segue marchando sobre “os corpos dos que estão prostrados no chão”.


Temos que nos contrapor à falácia dos defensores do capital, que tentam nos convencer a todo momento que o antídoto à barbárie é o capitalismo. Segundo eles, este deve chegar aonde não chegou, pois ele teria um caráter civilizatório. Não há salvação no capitalismo, que avança a passos largos destruindo o meio ambiente, vidas, sonhos.


É preciso nos levantarmos contra as injustiças, para que os que marcham sobre os corpos de Marcos, Wellington, David, e de tantos outros sejam vencidos, para que a justiça, os sonhos, liberdade e esperança caminhem triunfantes por esse mundo.


[1] Bertolt Brecht

O negócio do petróleo e o leilão que é privatização

O petróleo é uma matéria-prima de grande importância, seja para geração de energia, ou para fabricação de derivados diversos que possibilitam múltiplas utilizações. Isso, somado a sua não renovação, o torna um produto importante para a economia, e algo de grande valor no mercado, portanto um recurso natural estratégico para o desenvolvimento nacional. Foram esses os motivos que levaram a sociedade brasileira a debater intensamente o tema do petróleo. Intelectuais como Monteiro Lobato foram pioneiros a alardear/defender a existência de petróleo no Brasil, mas havia setores na sociedade contrários a essa idéia, ligados ao capital internacional, e defendiam uma posição dependente/subordinada do Brasil frente ao capital internacional, e ao imperialismo. Para estes, o Brasil não precisava investir em tecnologia, e deveria manter-se em uma posição de subordinação na divisão internacional do trabalho.

A partir da década de 1930, temos intensos debates envolvendo grupos que achavam que o petróleo deveria ser controlado pelo estado, e outros que achavam que ele deveria ficar a sorte do mercado. Mais uma vez, vemos os nacionalistas em confronto com os interesses defendidos pelos grupos que queriam entregar a produção de petróleo às multinacionais. Um dos momentos mais importantes deste debate na sociedade foi a campanha "O petróleo é nosso [1]", que contou com a participação de militares [2], artistas, movimento estudantil, partidos, movimentos sociais, ou seja, a sociedade estava participando ativamente da construção das políticas para o petróleo brasileiro.

Finalmente, em 1951, o então presidente Getúlio Vargas enviou ao Congresso o projeto 1516, que consistia na criação de uma empresa de capital misto, com controle majoritário pelo governo brasileiro (vejam como história se repete!). Entretanto, a proposta vitoriosa em 1953 foi a que definia a favor do monopólio estatal do petróleo, e da criação da Petrobras.

Ao longo desses anos, a empresa vem crescendo e tem tido um papel importante no desenvolvimento nacional. A Petrobras produziu tecnologias de exploração pioneiras, tais como a de águas profundas. E manteve um compromisso de produzir prioritariamente para o abastecimento do mercado interno.

Os embates acerca do petróleo que ocorrem entre os setores privatistas mais diretamente ligados ao imperialismo, e os nacionalistas, bem como os antiimperialistas, foram reeditados quando o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) [3], grande implementador das políticas neoliberais no Brasil, criou mecanismos que possibilitavam a abertura para o capital internacional explorar o petróleo no Brasil. A criação da Lei Nº. 9478, de 06 de agosto de 1997, que trata política energética brasileira e do monopólio do petróleo e gás, é certamente um dos pontos mais importantes para entendermos os rumos que o governo brasileiro adotou para a política energética. Ela significa um grande retrocesso das conquistas realizadas pelo povo brasileiro, que foram realizadas através de intensos debates e muita participação popular. A Referida lei definiu que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) seria a responsável por organizar licitações/leilões de áreas produtoras de petróleo para a exploração. Cita ainda a necessidade de incentivar a livre iniciativa. Os leilões se configuram como formas de transferência de áreas potenciais de produção de petróleo e/ou gás para as mãos do capital privado (nacional e/ou internacional).

Segundo a lei 9478/97:

" A Petróleo Brasileiro S.A. - PETROBRÁS transferirá para a ANP as informações e dados de que dispuser sobre as bacias sedimentares brasileiras, assim como sobre as atividades de pesquisa, exploração e produção de petróleo ou gás natural, desenvolvidas em função da exclusividade do exercício do monopólio até a publicação desta Lei."

Essas pesquisas e informações são importantes, e valem muito pelo que contém, bem como por demandarem muitos investimentos e tempo para serem obtidas. Se é a ANP quem estabelece a política de exploração, define as áreas que vão ser leiloadas, essas informações ganham uma dimensão maior, pois podem ser úteis ao capital privado. Mesmo que a ANP diga que vai de alguma forma remunerar a Petrobras pelas informações, o valor pago ainda será insuficiente.

As agências reguladoras (Anatel dos telefones, Anteel da eletricidade, ANP do petróleo e outras) foram criadas durante o governo de FHC com a finalidade de serem blindagens, do ponto de vista institucional, das políticas neoliberalismo no Brasil. Elas cumpriram e cumprem um papel muito importante durante os processos de privatização de diversas empresas e serviços públicos, como energia elétrica, telefonia, apesar do governo dizer que elas são importantes instituições democráticas e que servem para assegurar os direitos dos consumidores.


Essa política de concessão da exploração do petróleo e gás via leilões de blocos fere o princípio do monopólio estatal. Elas são formas de privatização, como demanda a lógica neoliberal, mesmo que de forma disfarçada e fragmentada. Mas os trabalhadores estão atentos e oferecendo resistência. É importante nos determos na tática dos governos ao implantarem políticas antipopulares Ao serem derrotados junto à opinião pública, mesmo contando com o apoio dos meios de comunicação dominados pelas elites, tentam aprovar as políticas de forma fragmentada. Podemos fazer uma analogia com os blocos leiloados pela ANP, e dizer que as políticas vão sendo passadas em blocos pequenos, em medidas, decretos, e de outras formas. Foi isso que ocorreu, e continua ocorrendo, com as (contra)reformas da previdência social, universitária e trabalhista. A lógica é a seguinte: muda-se aqui e ali, e desta maneira vão sendo criadas as condições para o avanço do neoliberalismo. Isso mostra o seu caráter antidemocrático, pois a medida em que encontram dificuldades de implementar essas políticas sem resistência, se utilizam dessas manobras para garantir o cumprimento da agenda imposta pelos organismos multilaterais.

As políticas neoliberais têm sido desastrosas. Elas contribuem para a ampliação das desigualdades, para a precarização nas relações de trabalho e nas condições de vida de maneira geral. As conquistas realizadas pela classe trabalhadora vêm sendo perdidas, os direitos têm sido retirados e transformados em serviços privados que são vendidos no balcão capitalista.

Dessa forma, o direito à saúde, à educação de qualidade, à previdência social se tornam mercadorias a serem adquiridas através do consumo, viram matérias de especulação para o mercado. Quem consome neste país? Como os trabalhadores precarizados, subempregados e desempregados vão consumir educação, saúde, e previdência social? O neoliberalismo é uma das faces mais perversas do capitalismo, pois nele não há compromisso algum com valores humanistas, solidários. Sua lógica é predatória, e seu único compromisso é com o lucro.

O governo Lula tem seguido a agenda de implementação das políticas neoliberais. E tem feito as reformas (contra-reformas) neoliberais, que haviam sido radicalizadas durante o governo FHC. Também segue com a realização dos leilões do setor de petróleo e gás. E, por outro lado, continua a paralisia em relação à Reforma Agrária.

Os leilões do governo FHC entregaram ao setor privado nacional e internacional empresas estratégicas, como a CSN, a Vale do Rio Doce, as empresas do setor elétrico, da telefonia, estradas, entre outras. Essa experiência nos mostra como estes setores são lucrativos e que as vendas foram feitas com prejuízos diversos, a saber: 1) o valor de venda é bem inferior ao do patrimônio das empresas, e das suas possibilidades de rendimento; 2) as empresas estão situadas em setores estratégicos da economia, para pensar o desenvolvimento nacional; 3) pelos tipos de serviços que essas empresas recebem, e pela incapacidade de incentivar a livre iniciativa como eles alardeiam; 4) a gestão privada não é superior à pública, há dificuldade de interlocução para resolver problemas dos consumidores. As Agências que estariam garantindo que o cumprimento dos contratos, bem como protegendo o direito dos consumidores, não exercem devidamente este papel, não há gerência sobre as suas atividades e nem controle por parte da população.

A venda da Companhia Vale do Rio Doce é um caso à parte na história das privatizações, pois a infra-estrutura e as reservas que foram leiloadas são bem superiores ao valor pago. Além disso, ainda é uma empresa que detém boa parte das reservas de minério do Brasil. Essa privatização serviu de experiência para as ações futuras, bem como a da CSN, pois em ambas ocorreu um intenso confronto com os amplos setores da sociedade que não concordavam com a venda dessas empresas, principalmente por elas terem se dado da forma ilícita como foi.

Os movimentos sociais estão organizados para tentar impedir os leilões, e têm a clareza que eles são formas de privatização do petróleo, de entrega dos recursos naturais para as multinacionais. Não podemos entregar assim uma fonte de energia estratégica. Vejamos o exemplo da eleição de governos como de Hugo Chávez, que vem adotando políticas que visam à melhoria das condições de vida do povo venezuelano com a utilização do petróleo, e também para garantir um enfrentamento com os EUA não ser isolado, como o que ocorreu com Cuba. Essa receita vem sendo a mesma adotada por Evo Morales, não porque está copiando Chávez, mas sim como resultado das lutas travadas para que os recursos dos hidrocarbonetos fossem destinados a atender às demandas da classe trabalhadora por melhores condições de vida.

Também é importante nos perguntarmos por que o governo estadunidense, juntamente com outras potenciais econômicas e militares, vem promovendo uma guerra pelo petróleo disfarçada de "guerra ao terror". O petróleo, a indústria bélica, as empreiteiras repensáveis pela reconstrução após as guerras são alguns dos motivos que levam esses países a travarem uma luta pelo lucro, que elimina vidas humanas e depreda a natureza.

O bloco histórico no poder, para garantir a hegemonia frente à "opinião pública", constrói justificativas para as políticas neoliberais. Não é diferente no caso dos leilões do petróleo. Os discursos mais recorrentes para a defesa dos leilões são: 1) já que a Petrobras explora petróleo em outros países, nada mais justo que leiloar áreas brasileiras para empresas multinacionais, 2) outro argumento fala de uma necessidade (do capital) de incentivar a livre concorrência, e que o monopólio estatal seria danoso para esse processo de abertura do mercado (declaração dada pelo diretor geral da ANP, Haroldo Lima.) 3)um último argumento diz que com o avanço do debate sobre os agrocombustíveis como energia limpa e renovável a nossa dependência do petróleo seria superada, pois a produção a nossa produção seria capaz de abastecer o mercado. Uma primeira pergunta que deve ser feita é: O que é uma energia limpa? Se for à custa da vida dos trabalhadores mortos por exaustão, ou pelo latifúndio que expulsa o agricultor do campo e degrada o meio ambiente, certamente não será uma energia limpa. Pelo contrário, será uma energia suja de sangue, de agrotóxico Esse modelo de produção de biodiesel e de etanol não contempla a pequena agricultura, e não contribui para mudara relação de produção no campo, pelo contrário ele aprofunda a concentração e a entrada do grande capital no campo brasileiro, ou seja, serve apenas para ampliar as possibilidades de reprodução do capital no campo brasileiro.

É necessário impedir os leilões do petróleo, e pensar uma política diferente para o petróleo e gás, e para a implementação do programa do biodiesel, do etanol, que gere emprego no campo, e que respeite o meio-ambiente, para isso é necessário ser contruída uma nova lei que regule o petróleo e gás e os agrocombustíveis, que permita um controle social maior, com a participação dos trabalhadores.

O homem sabe como produzir energia do sol, dos ventos, das ondas do mar, mas continuamos com o mesmo padrão energético, temos que pensar em alternativas para o petróleo, para o planeta. Por isso é importante que a política para a energia no Brasil esteja aberta a participação democrática.



Algumas Referências:
http://www.petrobras.com.br/
http://www.anp.gov.br/conheca/lei.asp?cap=1#ini

[1] A campanha foi importante e se estendeu de 1947 a 1953
[2] O Clube Militar foi um espaço muito importante para a construção de um debate sobre o Petróleo, e para a consolidação da vitória do grupo que defendia o monopólio estatal, temos a UNE muito ativa, bem como a esquerda de modo geral
[3] No período em que a Petrobras foi criada e que o governo brasileiro optou pelo monopólio estatal do petróleo as políticas que hoje são conhecidas como neoliberais não estava com muita força junto à "opinião pública", o pensamento predominante apoiava um estado forte, interventor.



Mardonio Barros (MST/Observatório da Indústria Cultural)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tudo Igual no Reino Neoliberal

A revista Época, em sua edição de Nº 490, de outubro de 2007, trouxe diversas seções nas quais tratou do tema da gestão pública. Essa mesma temática pode ser encontrada estampada nas páginas de todas as outras grandes revistas e jornais do país, que tratam a questão de forma muito semelhante..

As “semelhanças” no posicionamento destes veículos em relação às questões tratadas não são casuais, pelo contrário elas têm orientação e propósitos muito claros. Apesar da diferença que possa existir entre um veículo e outro, temos alguns aspectos sobre os quais se erguem os discursos de crítica ao modelo de gestão estatal no Brasil. Segundo o discurso da mídia, e de seus “especialistas”, que têm em comum serem defensores do capitalismo e das políticas neoliberais, o estado brasileiro é lento e ineficiente, diferente do mercado que é ágil e eficiente. Portanto, para o país se desenvolver, na perspectiva neoliberal de desenvolvimento, é necessário que o estado se “retire” de algumas áreas cujo mercado tem interesse de ocupar, e que também passe por um “choque de gestão”, que implica a sua redução, para que ele possa ficar mais ágil. Mas não basta só reduzir, é necessário o estabelecimento de metas de produtividade, que possibilitem a otimização do estado a partir do “capital humano” existente.

Um exemplo dado pela revista Época de caso bem sucedido é o da privatização da companhia Vale do Rio Doce, que foi vendida por US$ 10,4 bilhões, em 1997, e que dez anos depois, misteriosamente, foi avaliada em cerca de US$ 150 bilhões. Vale lembrar que cambio está hoje sob outras regras.

Essa campanha da “eficiência” e dos “benefícios” trazidos com a privatização da Vale surge justamente quando diversos movimentos sociais organizam várias iniciativas para contestar o processo de privatização da empresa, que foi vendida por um valor inferior ao que valia na época. Mais uma vez, vemos a “neutralidade da mídia”, expressa na sua defesa do projeto de modernização capitalista, que na contemporaneidade assume a feição neoliberal.

O discurso único dos meios de comunicação nos serve como indicativo de que a mídia não é neutra, apesar de quererem nos dizer isso. Ela defende um projeto, que é o da burguesia. Por isso, tanta preocupação com a campanha “A Vale é Nossa!”, tanta preocupação com as idéias socialistas, e a esquerda.

Apesar da morte de Hitler e Mussolini encontramos viva a chama do fascismo, que nas páginas destes veículos de comunicação, reproduzem o discurso de perseguição e condenação ao ideário socialista. Na mesma edição da Época, já citada, o colunista Gustavo Franco afirma que “o capitalismo venceu, e o socialismo foi uma catástrofe, ao contrário do que dizem os livros didáticos que o governo distribui.” [1] para estes “especialistas neutros” a história chegou ao fim, como defendia Francis Fukuyama, e o capitalismo é a única e melhor saída para a humanidade.

Esta perseguição aos socialistas se intensifica, em tempos em que os trabalhadores desempregados se multiplicam em proporções cada vez maiores, e em que as condições de trabalho se tornam cada vez mais precárias. De onde resultam essas condições se não da própria modernidade capitalista.

Apesar de quererem naturalizar a existência do capitalismo, e de perseguirem os socialistas, há levantes populares em várias partes do mundo, o socialismo vive no coração e nas mentes de milhões de homens e mulheres. Enquanto existir desigualdade no mundo os trabalhadores estarão construindo seus instrumentos de organização, e sua proposta para a humanidade.

Para a burguesia não basta prender, matar os trabalhadores descartáveis, que não cabem no mundo produtivo do capital, é preciso destruir os sonhos de emancipação da classe trabalhadora.

Por isso, os livros de Mário Schmidt incomodam tanto, por isso educação do MST, assim como a sua luta é um problema para a burguesia. Enquanto isso, oito páginas da mesma edição louvam o programa de Educação da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

[1] Nessa passagem o autor faz referência aos livros didáticos da coleção Nova história Crítica, escritos pelo historiador fluminense Mário Schmidt)
Mardonio Barros(MST/Observatório da Indústria Cultural)

Tropa DA elite ou Matou na favela e foi ao cinema

“Homem de preto,
qual é sua missão?
É invadir favela
E deixar corpo no chão.”

Esse “canto de guerra” é um dos muitos entoados pelo BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) nos seus treinamentos. Muito significativo e direto, já que mostra claramente onde se localizam os inimigos a serem abatidos. Trata-se de uma guerra contra os pobres, recrudescida em tempos neoliberais nos quais a contrapartida da criação de uma sociedade do desemprego é a necessidade das classes dominantes ampliarem não somente os meios para obtenção do consenso, mas também os instrumentos coercitivos que mantenham os oprimidos sob controle.
Em meio às crescentes denúncias contra a atuação do BOPE nas favelas cariocas, que se pauta por uma política deliberada de extermínio ao arrepio do Estado de direito, surgem nas ruas da cidade cópias do filme Tropa de elite, antes mesmo de seu lançamento no cinema, previsto para o mês de outubro. Tropa de elite já é um sucesso de público, está “na boca do povo”, fascina adolescentes e mesmo crianças de classe média, e reúne no orkut uma comunidade com mais de 55 mil membros. Virou também assunto da imprensa, devido ao suposto vazamento da cópia não autorizada, que acarretou processos e ameaças de prisão dos envolvidos.
Com produção no estilo hollywoodiano, o filme tem como ponto de partida o livro Elite da tropa, escrito pelo sociólogo e ex-subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro Luiz Eduardo Soares, pelo capitão do BOPE André Batista (negociador no seqüestro do ônibus 174) e por Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE. Mas não reproduz fielmente nas telas as histórias nele contadas. O personagem central nessa articulação é Rodrigo Pimentel, um dos roteiristas do filme. Pimentel foi “descoberto” no documentário Notícias de uma guerra particular, de 1997, dirigido por João Moreira Salles e Kátia Lund e forneceu o mote do título do filme, enunciando uma tese que vem ganhando fôlego e pautando as políticas de segurança pública do Estado: vivemos num estado de guerra entre, de um lado, o Estado e os “cidadãos de bem” e, de outro, os bandidos/traficantes. E não se trata de qualquer guerra. Mas sim de uma guerra total que, nos moldes da “guerra ao terror” empreendida por Bush, justifica a suspensão dos direitos humanos e legitima práticas ilegais como torturas e execuções sumárias com base na idéia de que elas são necessárias para garantir a segurança pública. É preciso lembrar ainda que argumento semelhante foi amplamente utilizado, na história recente do país, para justificar os arbítrios cometidos pelo Estado durante a ditadura militar. No caso do filme, é o narrador, capitão Nascimento, que afirma: “se o BOPE não existisse, os traficantes já teriam tomado a cidade há muito tempo”. Nessa lógica de um tudo ou nada distorcido, quem defende direitos humanos, defende os bandidos e é cúmplice da violência urbana que assola a cidade.
Cúmplices são também os que consomem as drogas ilícitas vendidas nas favelas. O tráfico de armas (e a indústria bélica que dele se beneficia), as ligações extra-favela do tráfico que, como todos sabem, atingem autoridades que organizam de fato as redes do crime, cujo elo mais fraco são os “vagabundos” assassinados cotidianamente pelo Estado, não são levados em conta nesse argumento. Numa das cenas mais chocantes do filme, capitão Nascimento, após comandar uma ação que resulta na morte de um traficante, esfrega o rosto de um estudante, que estava na favela consumindo drogas, em cima do sangue que sai do buraco aberto pela bala no peito do jovem morto e pergunta se ele sabia quem havia matado o rapaz. O estudante diz que foi um dos policiais, ao que Nascimento responde: “um de vocês é o caralho! Quem matou esse cara aqui foi você. Seu viado, seu maconheiro, é você quem financia essa merda. A gente sobe aqui pra desfazer a merda que vocês fazem.”
Portanto, coerção e consumo estão no centro das teses que organizam o filme.
Tropa de elite conta a história do drama privado do capitão Nascimento, significativo nome para um oficial “padrão” de uma polícia que tem como símbolo uma faca na caveira. Capitão Nascimento vai ser pai e o nascimento de seu filho o impulsiona a buscar um substituto no comando de uma guarnição do BOPE. Cansado da “guerra” cotidiana travada nas favelas cariocas, com síndrome do pânico e pressionado pela esposa grávida, Nascimento é um herói humanizado, um personagem complexo, ao mesmo tempo forte, incorruptível, carismático e também frágil, capaz de sentir remorsos pela morte de um menino fogueteiro, denominado por ele “sementinha do mal”, que resulta de uma operação sob seu comando.
Os candidatos a substituto de Nascimento são Neto e Matias, aspirantes a oficiais da polícia militar que se negam a participar dos esquemas de corrupção da corporação e, por conta disso, acabam se incorporando ao curso preparatório do BOPE. Neto é descrito como tendo a polícia no coração. Destemido e impulsivo, exímio atirador, gostava dos combates nas favelas e era o favorito de Nascimento. Seu amigo Matias, negro e de origem pobre, era mais racional, “gostava da lei” e se dividia entre ser estudante de direito da PUC e pertencer à polícia. Seguindo a classificação de Nascimento, os policiais cariocas só têm três alternativas: “ou se corrompem, ou se omitem ou vão para guerra”. Aprendizes de heróis, Neto e Matias só poderiam seguir a terceira opção.
Por conta da faculdade, Matias se envolve com uma menina de classe média alta que dirige uma ONG patrocinada por um político no Morro dos Prazeres e “fechada” com o chefe do tráfico na favela. A princípio, seus colegas da faculdade, ligados à ONG, não sabem que Matias é policial. Todos os estudantes são consumidores de drogas ilícitas. Um deles é “avião” e vende drogas na universidade.
Baiano, o chefe do tráfico na favela da ONG, assim como os colegas e a namorada de Matias descobrem que ele é policial através de uma foto que sai publicada nas páginas de um jornal. Esse fato desencadeia uma série de eventos que culminam na morte de Neto e na conversão definitiva de Matias em oficial do BOPE durante a caça a Baiano, motivada pela necessidade de vingar a morte do amigo. O policial que “gostava da lei” passa a torturar e executar, provando assim sua conversão de corpo e alma. O homem preto se torna homem de preto, “caveira, meu capitão”.
Nossos mariners tupiniquins são apresentados como soldados muito bem treinados, capazes de suportar um treinamento destinado a poucos, uma elite exemplar com um papel fundamental no estado de sítio em que vivemos: conter os pobres. Tropa de elite recolhendo corpos supérfluos daqueles que, em outros tempos, eram exército de reserva de mão-de-obra e que hoje, em meio ao desemprego estrutural e à ditadura do capital financeiro, são o lixo da sociedade.
A necessidade de conter (e mesmo eliminar) os pobres é o objetivo dessa guerra particular ou privada e, nesse contexto, uma tropa de elite se configura como uma tropa DA elite, necessária para garantir a ordem e o respeito à propriedade privada. Isso explica porque 100% das operações do BOPE são realizadas em favelas.
No filme, o discurso que legitima o BOPE e suas ações é persuasivo e se articula em três níveis. Num primeiro nível, o BOPE aparece como uma resposta à ineficiência e corrupção da “polícia convencional” e aos políticos que a alimentam. Assim, essa elite de policiais é apresentada como incorruptível e como um padrão a ser seguido, de referência internacional. O lema “faca na caveira e nada na carteira” resume esse discurso moralista e pragmático que atende perfeitamente aos apelos midiáticos por ordem e moralidade.
Um segundo nível pode ser identificado na apresentação do BOPE como uma seita que, através de um árduo rito de passagem – o curso de treinamento -, seleciona homens fortes, honestos e “formados na base da porrada”, preparados para resistir às piores provações. A seleção é a base da consolidação de uma camaradagem entre essa elite, em oposição àqueles que “nunca serão”, reatualizada nas práticas cotidianas de transgressão da lei. Numa das cenas do filme, um coronel e seus comandados, entre eles Nascimento, estão organizando as turmas do curso preparatório. Entre risadas e num clima descontraído, o coronel diz que não quer saber de tímpano perfurado em aula inaugural e de mão cortada. Mesma complacência para com os “excessos”, que afinal sempre podem ser “merecidos”, que ocorrem durante as operações nas favelas. Em tempos de fragmentação, individualismo e consumismo, podemos imaginar o apelo desse discurso que louva um corpo de homens unidos por um forte sentimento de pertencimento a uma elite e por um orgulho quase racial, seres superiores, elevados, em meio ao mundo de miséria, fraqueza e corrupção. Homens de caráter em tempos de corrosão do caráter.[1]
O terceiro nível desse discurso persuasivo é o do indivíduo, de seus dramas pessoais, que humaniza o herói e o aproxima dos seres humanos comuns, capazes de se reconhecerem e se identificarem com ele. Capitão Nascimento é o herói que sacrifica a vida pessoal e que não estende sua brutalização à vida privada. Como na cena em que ele, durante uma operação na favela, logo depois de se emocionar ao ouvir ao celular o coração do filho batendo na barriga da mãe, manda seu subordinado atirar dizendo: “senta o dedo nessa porra!”. Ou no momento em que, de farda, vindo da “guerra”, chora ao ver seu filho recém-nascido na maternidade. Nascimento trata sua mulher de forma amorosa e se sensibiliza com as pressões que ela faz para que ele saia do BOPE. Com exceção de uma cena, após a morte de Neto, a única em que ele aparece fardado no ambiente doméstico, na qual ele grita: “quem manda nessa porra aqui sou eu e você não vai mais abrir a boca para falar do meu batalhão nessa casa”. Significativamente, após impor seu comando em casa, ele fica curado dos ataques de pânico e joga fora os medicamentos psiquiátricos que estava usando.
Todos esses níveis se articulam em torno da naturalização da idéia de que vivemos num estado de exceção, uma situação atípica que demandaria regras também atípicas para sua solução. Essa naturalização permite um relativismo de valores e práticas, de direitos e garantias no que dizem respeito à dignidade da vida humana. Falar em direitos humanos não faz nenhum sentido num estado de coisas que institui valores desiguais para as vidas humanas de acordo com critérios como cor da pele, origem social e mesmo idade, já que os jovens pobres e negros são hoje as principais vítimas de homicídios, bem como formam a maioria da população carcerária do país.
No entanto, é preciso afirmar que o estado de exceção na verdade é a regra sob o capitalismo, que não pode prescindir, sobretudo em sociedades dramaticamente desiguais como a brasileira, do trato brutal com os de baixo.
Não há como não lembrar aqui de um poema escrito por Bertolt Brecht num contexto de vitória do fascismo na Europa, no qual outros homens de preto, em defesa da ordem do capital, esvaziaram de significado a palavra humanidade:

A exceção e a regra

Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso.
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.



[1] Richard Sennet. A corrosão do caráter. Conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro, Record. 1999.


Adriana Facina (UFF/Observatório da Indústria Cultural)

Mardonio Barros(MST/Observatório da Indústria Cultural)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Flanar por aí... Da vadiagem à reflexão: ruas abertas de Fortaleza.

Hoje ao fim de um dia de trabalho, depois de ir de um lado para outro da cidade, “terminei”, por assim dizer, minha peregrinação por Fortaleza. Parei em uma livraria para procurar uns livros, e tomar café. Encontrei um livro que há muito tempo queria ter novamente, um livro do cronista João do Rio chamado: “A Alma Encantadora das Ruas”. Em um dos textos, bem no início do livro, o autor fala sobre nossa paixão pela rua. Digo nossa, dos humanos que nos encontramos na rua, que através dela chegamos aos muitos destinos, e que a ocupamos de múltiplas formas e sentidos.
A leitura do livro transportou-me para muitos lugares, e me fez pensar nos meus últimos trajetos. Em minhas peregrinações. Primeiro, lembrei de como a rua é o lugar do público, da vida que está fora da casa, e de como a rua tem se tornado o lugar do medo, do cansaço e das dificuldades. Não serei de todo pessimista sobre os “novos” sentidos das ruas, pois assim como João do Rio, amo-a, e acredito em seu papel humanizador.
A rua é o lugar de passagem, que divide os espaços da cidade, ao mesmo instante que nos faz ficar ligados através dela. Sempre que posso, eu saio flanando, sem destino, meio vadeando, meio refletindo sobre a vida e sobre o mundo. É andando, e percorrendo os caminhos que consigo perceber as contradições que se externalizam na rua. É no contato com o mundo que posso sentir-me mais humano, e mais participante da vida.
Vivemos no mundo das sensações, no mundo da imagem, dos sentidos, dos desejos, mesmo que estes últimos em alguma medida tenham sido encapsulados pela lógica do consumo imprimida pelo mundo do capital.
Nos caminhos de Fortaleza, podemos ver milhares de pessoas em situação de rua, que expressam a miséria. Vemos ruas sujas, que não acolhem os transeuntes. Temos ruas vivas, e ruas mortas. Ruas feridas pela miséria humana, pelo descaso com a vida, pelo pouco cuidado com o direito a beleza, e a esperança. As ruas de Fortaleza são lugares onde a contradição se mostra, onde a vida caninha sem esperança, e de cabeça baixa.
É preciso reagir, para resgatar a vida que pulsa nas ruas e nos corações dos que nelas transitam. Pois só assim, conseguiremos vencer o medo, a miséria, os buracos, a brutalidade cotidiana das relações que estabelecemos uns com os outros. É preciso encher as ruas de gente, que passeiem por elas, e que nelas se apaixonem umas pelas outras. E que nossa paixão pelas ruas, e pela vida possa dar novos nomes e sentidos as ruas onde nossos passos são dados.

por Mardonio Barros

quinta-feira, 4 de março de 2010

o que realmente importa...

Acordamos todos os dias, e encontramos pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas, realizamos encontro diverso e variados. Nos sentimos sozinho, nos sentimos plenos. nossa vida é cheia de mudanças.
O encontro com o mundo nos possibilita um turbilhão de sentimentos. Muitos sentidos, Muitos significados. estamos comunicando, e sendo comunicados a todo instante.
levantamos todos os dias procurando felicidade, isso nos mantém vivos, e realizando coisas.
Quando nos é humanamente impossível acreditar que podemos ser felizes, somos vencidos pelas dificuldades, pela máquina irracional da vida contemporânea. angustia, vazio, solidão, desconfiança são temas recorrentes, são sentimentos que embotam o espírito humano, e que nos distancia.
O que faremos? O que o destino nos reserva? Em geral não temos respostas, mas é sempre bom perguntarmos, pois é uma forma de lutar, de não nos entregar. Sonhar é preciso, mas não basta sonhar, não basta acreditar. temos que nos mover no mundo. não podemos ficar presos a empregos, e lugares que não nos dizem nada, ficamos paralisados sonhando como seria se decidissimos , ou se fizéssemos outra coisa pra viver. Só experimentando podemos sentir, é na vida que se vive. Não sabemos o que há antes, ou depois da vida. o que temos em nossas mãos é o que podemos fazer, mais que isso eu não sei.