segunda-feira, 13 de julho de 2009

Funk e lazer são proibidos: Polícia e silêncio na Favela


O estágio atual do desenvolvimento das políticas de repressão pública é marcado pela espetacularização das operações de controle social. A Lei Seca, as invasões policiais em áreas faveladas, ou o Choque de Ordem, são faces visíveis de uma política da repressão espetacularizada. Essas iniciativas nos mostram que a punição e a repressão se tornaram temas de grande apelo midiático. Encontramos constantemente nas paginas da imprensa marrom matérias com chamadas e formas de escrever jocosas sobre o tema da violência, mesma forma que vemos em programas como o Balanço Geral, apresentado pelo Deputado Estadual Wagner Montes. Uma forma brutal de lidar com um tema tão sério. Há uma desvalorização da vida dos que tombam com a violência generalizada. Uma naturalização da morte, pela superexposição e pela brincadeira. Não podemos colocar esse poder todo na mídia, mas não podemos negar o incrível poder dessas maquinas de subjetivação.

Essas políticas impõem uma maneira determinada de nos relacionar com o espaço público. Disciplina-nos dentro de um modo de vida, que atende as demandas atuais do capital, pois a grande fábrica fordista e suas formas de controle estão falidas, os trabalhadores estão dispensados, a produtividade e a acumulação do capital são marcadas pela flexibilidade. O Exército de desempregados e de subempregados precisa ser disciplinado em outros espaços.

A proibição dos bailes está dentro do contexto das políticas de intervenção e controle do estado sobre a vida privada, nos espaços populares. É necessário controlar os pobres. Nem todo circo é possível, apenas alguns. De preferência formas que levem as pessoas ao isolamento, ao interior dos barracos. Essa lógica contribui para a construção de modo de vida imobilizado, silenciado.
A perseguição/criminalização é um processo que tende a ampliar em quantidade e em qualidade. Estamos em um estágio avançado da mudança da lógica de organização das cidades. Não há promessas de futuro, apenas de um presente sem esperança, sem vida. Lutar contra o imobilismo, quanto à depressão social é fundamental. Mas a reação da ordem é clara, é necessário proibir o baile funk, pois ele gera a desordem pública. Essa defesa da ordem é marca do modelo fascista de controle social. Do modelo que quer silenciar a favela, que quer impedir os jovens de expressarem sua voz, mesmo que em uma expressão cultural marcada fortemente pela barbárie de onde ela se levanta.
Proibir o baile e proibir os jovens de expandirem seus corpos, de expressarem vida através das danças, dos encontros, da voz que solta o grito, do pancadão...
Mardonio Barros

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