sexta-feira, 8 de março de 2019


Sou mulher
Nem frágil
nem forte
apenas mulher
nem mais
nem menos
simplesmente mulher
sem disputa de gênero
apenas sendo e deixando ser
sou mulher que é mãe, e mulher que não é.
Mulher que é trans
Mulher!


Sinto, e nem tudo é poesia.
Falo, e não há poesia alguma em minhas vagas palavras.
Nem toda palavra é rica de sentido
É preciso parir palavras grandes e densas,  repletas de verdade e paixão.
A poesia alimenta-se de verdades da alma, verdades da rua,  verdades da vida.  
O poeta trabalha duro, pois a matéria de seu trabalho é rara e farta.
Sei, e nem tudo que sie é verdade.
Nem toda verdade basta para o poeta.


Estamos à deriva no mar de gente de nossos tempos
Estamos no mesmo aglomerado urbano, cheio de gente solitária.
Os veículos são cada vez mais velozes.
As ligações telefônicas cada vez mais baratas
A internet conecta, mas não une de fato.
O abismo entre os corações amplia-se
E com um tiro de arma letal a empatia morre vagarosamente no asfalto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Fazer e dizer, em geral, têm dois lados. 
Fazer e ser é algo bem próximo. Nós somo, em grande medida, a expressão de nossa ação no mundo e com o mundo. 
Dizer sobre o feito pode ser uma forma de criar uma conceituação para a ação, mas nem sempre a ação é tão boa quanto a narrativa, ou seja, o dito sobre o feito pode ser só uma grande ficção/enganação. 
Somos, pensamos, dizemos e fazemos.
Quem sabe um dia seremos mais verdadeiros. Mas a verdade será uma realidade unidimensional? Ou será algo multifacetado e relativo?
Deixar de relativismo pode ser um bom ponto de partida...eu acho! Rsrsr
Eu sei que o pesar, o dizer e o fazer nem sempre caminham na mesma direção. acredito que a busca desta aproximação pode ser uma forma de melhorar nosso jeito de se relacionar com a vida em sua diversidade e complexidade. sem armas ou amarras, mas com fome de vida e de mundo.

mudança de paradigmas

Espero uma mudança de paradigmas que tenha a defesa da vida como foco da tecnologia e conhecimento. Tantos inventos para vender mais, tantos produtos para um consumo desenfreado e vazio. Quero ver essa energia inovadora voltada para os problemas humanos e ambientais. Quero ver máquinas e homens voltados para acabar com a fome e a desigualdade.

Nunca digam - Isso é natural!

O fuzil utilizado pelo soldado do tráfico é um artefato bélico resultante de pesquisas e produzido por uma indústria legalmente constituída. A bomba Atômica lançada sobre a cidade de Hiroshima em 1945 foi desenvolvida a partir de pesquisas científica. Esses são dois exemplos de produtos do progresso científico que não significam benefícios para a sociedade, mas produção de dor e morte.
"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável."
(Bertolt Brecht)

NEGÓCIO SOCIAL – UMA NOVO HORIZONTE PARA A REINVENÇÃO DOS MERCADOS

por Mardonio Barros 
Nem estatolatria, nem capitalismo selvagem com suas visões estreitas são capazes de dar conta das emergências e complexidades de nossa sociedade. Eles não são portadores do elemento mais importante da evolução humana, que é a solidariedade: foi ela que possibilitou todos os processos de organização, produção e socialização que conduziram a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento. A colaboração e organização social, certamente, são elementos chave para entender como a humanidade, mesmo sendo uma espécie tão frágil, tornou-se a espécie dominante na terra.
A cooperação pela sobrevivência e pelo bem comum foi o elemento principal da evolução humana, mas os liberais conservadores e os autoritários de esquerda não conseguem ver isso e entender que as necessidades coletivas devem estar em primeiro plano. É preciso humanizar a ideia de mercado para não alienarmos o processo de produção e organização das demais dimensões da vida.
A ideia de desenvolvimento deve, de fato, estar voltada para a produção de uma sociedade mais feliz e viável, viabilidade essa que só é possível se nós combinarmos justiça social e convivência harmônica com o meio ambiente. As dimensões social e ambiental devem nortear a busca de soluções. Produtos e serviços que são danosos aos homens e ao meio não podem continuar sendo livremente fabricados e comercializados. Nós devemos ter industrias e comércio alinhadas com uma razãosocial que gere benefício ao planeta. Sem criminalizar o lucro, nem enaltecer uma saída estatal, precisamos de modelos coerentes que só são possíveis a partir de um processo de grande densidade social que promova a participação mais ampla possível desde a elaboração até a execução.
Nessa perspectiva, vejo um novo horizonte apresentando-se. O negócio social surge como essa nova possibilidade de reinvenção do mercado, ou até mais que do que isso, ele pode resultar num novo sistema sociometabólico capaz de revolucionar o modo de nos relacionarmos uns com os outros e com o meio que nos possibilita a vida. Esse novo modelo não passa pelas visões tradicionais de esquerda, nem de direita. Trata-se de um novo paradigma, cuja a centralidade não está na disputa de poder, nem no lucro, mas na busca de resolver problemas de ordem material e simbólica.
Os negócios sociais organizam a energia social para o atendimento de necessidades coletivas. Está focado na criação de empreendimentos que irão produzir impactos positivos.
É possível identificar uma nova safra de empreendedores e trabalhadores do século XXI desejosos de uma cultura de mercado mais justa e democrática, eles estão produzindo uma onda do bem que deu impulso à expansão de negócios sociais que crescem de forma significativa. Os empreendimentos com impacto social estão transformando milhões de vidas pelo mundo e criando exemplos de desenvolvimento humanamente justo e ambientalmente responsável. Muhammad Yunus e outros humanos que acreditam na força da solidariedade estão demonstrando que é possível gerar desenvolvimento com produção de felicidade, justiça e igualdade.