segunda-feira, 8 de junho de 2020

coisificação

As coisas têm valor
eu não sei o valor das coisas
qual o valor das coisas?
quais coisas têm mais valor dentre tantas coisas?
qual o valor do homem? 
qual valor da paz?
há gente sem valor 
não pra mim, mas pra sinhá e pro sinhô
há gente sem nome 
sem pai importante 
sem dono zeloso 
há gente que mal come 
gente feito bicho 
feito coisa sem valor
pois não traz lucro para sinhá e pro sinhô. 


sexta-feira, 21 de junho de 2019

A palavra pesa
ela diz e ao dizer: machuca, revela, encanta, assusta...
a palavra tem o peso da pena e a força do fato.
a palavra porta a verdade do narrador
a inverdade do mentiroso
a sentença do juiz
a beleza do poema
nela cabe muitas coisas

a palavra pesa o peso do pensamento
ela porta o acontecimento.
sustenta, em suas largas costas, a história dos homens através dos tempos.
a história é de vida e de morte; de dor e de alegria; feita de versões divergentes e de pontos de vista próprios.
o passado revive na palavra, em sua força de remontar os feitos e fatos. .
de produzir a ficção
de invenção e reinvenção.
a palavra é matéria maleável e universal.
Ela é veículo que une e afasta.
A palavra firma o contrato e afirma o feito.
nela reside o sentido, sem sempre sensato.
a palavra pesa ao ponto de gerar o silêncio no recinto.
por isso, temo a palavra dita, que quando fere fundo é maldita.
mas prefiro a palavra ferindo do que o silêncio ensurdecedor.


sexta-feira, 8 de março de 2019


Sou mulher
Nem frágil
nem forte
apenas mulher
nem mais
nem menos
simplesmente mulher
sem disputa de gênero
apenas sendo e deixando ser
sou mulher que é mãe, e mulher que não é.
Mulher que é trans
Mulher!


Sinto, e nem tudo é poesia.
Falo, e não há poesia alguma em minhas vagas palavras.
Nem toda palavra é rica de sentido
É preciso parir palavras grandes e densas,  repletas de verdade e paixão.
A poesia alimenta-se de verdades da alma, verdades da rua,  verdades da vida.  
O poeta trabalha duro, pois a matéria de seu trabalho é rara e farta.
Sei, e nem tudo que sie é verdade.
Nem toda verdade basta para o poeta.


Estamos à deriva no mar de gente de nossos tempos
Estamos no mesmo aglomerado urbano, cheio de gente solitária.
Os veículos são cada vez mais velozes.
As ligações telefônicas cada vez mais baratas
A internet conecta, mas não une de fato.
O abismo entre os corações amplia-se
E com um tiro de arma letal a empatia morre vagarosamente no asfalto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Fazer e dizer, em geral, têm dois lados. 
Fazer e ser é algo bem próximo. Nós somo, em grande medida, a expressão de nossa ação no mundo e com o mundo. 
Dizer sobre o feito pode ser uma forma de criar uma conceituação para a ação, mas nem sempre a ação é tão boa quanto a narrativa, ou seja, o dito sobre o feito pode ser só uma grande ficção/enganação. 
Somos, pensamos, dizemos e fazemos.
Quem sabe um dia seremos mais verdadeiros. Mas a verdade será uma realidade unidimensional? Ou será algo multifacetado e relativo?
Deixar de relativismo pode ser um bom ponto de partida...eu acho! Rsrsr
Eu sei que o pesar, o dizer e o fazer nem sempre caminham na mesma direção. acredito que a busca desta aproximação pode ser uma forma de melhorar nosso jeito de se relacionar com a vida em sua diversidade e complexidade. sem armas ou amarras, mas com fome de vida e de mundo.

mudança de paradigmas

Espero uma mudança de paradigmas que tenha a defesa da vida como foco da tecnologia e conhecimento. Tantos inventos para vender mais, tantos produtos para um consumo desenfreado e vazio. Quero ver essa energia inovadora voltada para os problemas humanos e ambientais. Quero ver máquinas e homens voltados para acabar com a fome e a desigualdade.

Nunca digam - Isso é natural!

O fuzil utilizado pelo soldado do tráfico é um artefato bélico resultante de pesquisas e produzido por uma indústria legalmente constituída. A bomba Atômica lançada sobre a cidade de Hiroshima em 1945 foi desenvolvida a partir de pesquisas científica. Esses são dois exemplos de produtos do progresso científico que não significam benefícios para a sociedade, mas produção de dor e morte.
"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável."
(Bertolt Brecht)

NEGÓCIO SOCIAL – UMA NOVO HORIZONTE PARA A REINVENÇÃO DOS MERCADOS

por Mardonio Barros 
Nem estatolatria, nem capitalismo selvagem com suas visões estreitas são capazes de dar conta das emergências e complexidades de nossa sociedade. Eles não são portadores do elemento mais importante da evolução humana, que é a solidariedade: foi ela que possibilitou todos os processos de organização, produção e socialização que conduziram a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento. A colaboração e organização social, certamente, são elementos chave para entender como a humanidade, mesmo sendo uma espécie tão frágil, tornou-se a espécie dominante na terra.
A cooperação pela sobrevivência e pelo bem comum foi o elemento principal da evolução humana, mas os liberais conservadores e os autoritários de esquerda não conseguem ver isso e entender que as necessidades coletivas devem estar em primeiro plano. É preciso humanizar a ideia de mercado para não alienarmos o processo de produção e organização das demais dimensões da vida.
A ideia de desenvolvimento deve, de fato, estar voltada para a produção de uma sociedade mais feliz e viável, viabilidade essa que só é possível se nós combinarmos justiça social e convivência harmônica com o meio ambiente. As dimensões social e ambiental devem nortear a busca de soluções. Produtos e serviços que são danosos aos homens e ao meio não podem continuar sendo livremente fabricados e comercializados. Nós devemos ter industrias e comércio alinhadas com uma razãosocial que gere benefício ao planeta. Sem criminalizar o lucro, nem enaltecer uma saída estatal, precisamos de modelos coerentes que só são possíveis a partir de um processo de grande densidade social que promova a participação mais ampla possível desde a elaboração até a execução.
Nessa perspectiva, vejo um novo horizonte apresentando-se. O negócio social surge como essa nova possibilidade de reinvenção do mercado, ou até mais que do que isso, ele pode resultar num novo sistema sociometabólico capaz de revolucionar o modo de nos relacionarmos uns com os outros e com o meio que nos possibilita a vida. Esse novo modelo não passa pelas visões tradicionais de esquerda, nem de direita. Trata-se de um novo paradigma, cuja a centralidade não está na disputa de poder, nem no lucro, mas na busca de resolver problemas de ordem material e simbólica.
Os negócios sociais organizam a energia social para o atendimento de necessidades coletivas. Está focado na criação de empreendimentos que irão produzir impactos positivos.
É possível identificar uma nova safra de empreendedores e trabalhadores do século XXI desejosos de uma cultura de mercado mais justa e democrática, eles estão produzindo uma onda do bem que deu impulso à expansão de negócios sociais que crescem de forma significativa. Os empreendimentos com impacto social estão transformando milhões de vidas pelo mundo e criando exemplos de desenvolvimento humanamente justo e ambientalmente responsável. Muhammad Yunus e outros humanos que acreditam na força da solidariedade estão demonstrando que é possível gerar desenvolvimento com produção de felicidade, justiça e igualdade.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O CORTEJO DE MORTE DE EDUARDO CAMPOS OU ABUTRES, CARPIDEIRAS E OPORTUNISTAS.

O CORTEJO DE MORTE DE EDUARDO CAMPOS OU ABUTRES, CARPIDEIRAS E OPORTUNISTAS.

O telefone toca. Do outro lado alguém fala:
- sabe o que acabou de acontecer com o Eduardo Campos?
-não
- Ele estava em um voo e o avião caiu. o Ex-governador de Pernambuco, os tripulantes e os demais que estavam abordo morreram.
- Sério?
Fiquei atônito com a notícia.  Fui ver o que os noticiários e informavam sobre o assunto. Para minha falta de surpresa a imprensa corporativa já estava montando cenários eleitorais. O corpo mal tinha tocado o chão já estavam com pesquisa e especialista falando sobre o cenário pós-morte.
Neste instante, vi mais uma prova de como a vida vele pouco, pois os anuncio, o lucro e a audiência dos telejornais valem mais do que os homens e seus dramas. A exploração da vida ocorre até na morte.
Marina já se posava como viúva do legado de Campos para tentar ascender para a cabeça de chapa na disputa eleitoral.
fiquei enojado com o gozo da mídia no corpo ultrajado.
Alguns verbetes para respirarmos:
As Carpideiras são mulheres que choram profissionalmente para defuntos alheios, para isso é feito um acordo monetário entre a carpideira e os familiares do defunto.
Os Abutres são aves classificadas pela biologia como detritívoros, saprófagos ou necrófagos que se alimentam de restos orgânicos (plantas ou animais mortos). Nos dicionários é comum encontrar a definição de uso da palavra, ou seja, homens com caráter duvidoso e práticas nocivas à coletividade.  

A primeira fase das noticias foram dominadas pela euforia sobre os desdobramentos possíveis do cenário eleitoral.  Nas redes sociais vi a revolta de gente sensível à dor dos seus semelhantes, eles criticavam os atos oportunistas da mídia e de políticos que aproveitavam o espaço para fazer campanha.

Na segunda fase temos a dissecação do fato pela mídia que explora cada detalhe mais intimo.  No velório de Eduardo Campos, no Palácio das Princesas, pessoas tirarem selfie junto ao caixão, isso expressa à desumanização e a falta de empatia que aprece alastrar-se como fogo em rastilho de pólvora.

Amor

Descobrir o amor é como cozinhar.
Tem que ter fogo, ingredientes e recipientes.
Tem que cortar os excessos para ficar bom. Nem muito sal, nem muita pimenta...só o bastante.  
tem que ter atenção, pois a desatenção ou deixa queima ou ficar cru.
Amor merece cuidado e sensibilidade de cozinheiro para perfumar a casa e matar nossa fome de alegria. 

o amor acontece

O amor acontece no tempo
No lugar
No lugar
Ele se realiza em um
Em dois
O amor é uma descoberta
Invenção
Criação
Ele se realiza na vida
No sonho
No ser
O amor acontece em mim
Neles
Em você

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O AMOR MUDA O MUNDO( Mardonio Barros)

O AMOR MUDA:
O foco
O tempo
A percepção
O AMOR NUTRE:
a esperança
o desejo
a parceria
O AMOR ACALMA:
o peito
o sujeito
a explosão
O AMOR MUDA:
o Mundo
o homem
a relação
Amor
café
manhã
eu
você
dois
possibilidade
cotidiano
eu amo você de manhã tomamos café e tecemos nossos cotidiano.
Sua
casa
minha
esperança
medo
dor
prazer
você é minha esperança em nossa casa nos protegemos do medo e da dor, nos unimos e sentimos todo o prazer de compartilhar. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

papel e poesia

As palavras podem fugir 
podemos ficar horas frente ao papel
a tinta não prospera
não vira palavra
palavras encaixam-se
nem todas!
horas de branco
outras tantas de desencontro
e umas poucas de criação

num vôo

Meu amor viajou e deixou um buraco na cama
Meu amor foi e o vazio ganhou volume, forma e drama.
Ela está distante, mas dentro de mim
Foi no vôo do avião
Com sua avidez de sempre
Meu amor foi com fome de descoberta.
Quero meu amor livre pra sentir e ser
Quero meu amor bem.
Quero ela tão grande e forte que possa me colocar em seus braços
Quero que meu amor volte nas mesmas asas velozes
Quero que ela chegue com o peito cheio de saudade e o corpo ardendo de desejo

transbordando

Quando as palavras faltam: 
Não dizem mais e não dizem o que precisam dizer
  a boca cala
A garganta da nó
A respiração some
As palavras não bastam
Quando a tristeza ou a alegria é muita:
O corpo fica imóvel
 O corpo vibra inteiro...quase parte em pedaços
A pele arrepia
 A Lagrima desse
O sorriso solta
O desespero bate
O desejo ascende

A moça do quinto andar

Amo a moça do quinto andar: 
seu jeito bobo
seu passo leve
seu riso frouxo
Amo a moça do olhar profundo:Que registra o tempo
que aprisiona meu ar 
que atravessa meu corpo
Amo a moça pateta: 
sua graça de palhaço
seu tombo proposital
seu gozo do riso do outro
Entrego pra moça: 
os dias dos meus anos
a esperança no amanhã
os planos e meu coração

POR UM FIO

No fio do tecido a vida anda

Por um fio se vai
O fio conduz:
      energia            informação
O fio do algodão
     do novelo
     do cobre
      do cabelo
O fio que porta a matéria
O fio que corta como navalha
O fio do final 

MEU NOME É TUMULTO

Eu protesto

Contra tu
contra eles

Eu protesto
contra o errado
contra o injusto
pelo certo
pela liberdade

Eu protesto e tu passivo?
imóvel
inerte
mova-se!

Tu protestas?
Eu apoio
marchamos juntos

Nós protestamos
o mundo vibra
eles tremem
a esperança segue
as leis mudam